segunda-feira, 23 de novembro de 2009

“Everybody loves Brazil”

Segue abaixo um editorial da revista "Brasileiros". Se alguém escrevesse um texto desses antes da revolução lulista seria, no mínimo, chamado de chapa-branca. Não é (ainda) a volta do "Ame-o ou deixei-o", mas agora já se pode "gostar mais do Brasil". Que bom. Mas não quero, não, obrigado. Como bom stanilawslista, confio, mas confiro. Acho engraçado como parte da imprensa grudou no governo. O desenhista mineiro fechou o "Pasquim" logo que o líder tomou o poder alegando que o jornal só poderia existir como oposição. Foi mais honesto? Hum... Sei não. No mínimo, mostra com que parcialidade o hebdomadário era feito nos seus últimos tempos. (Gostaria da opinião de Paulo Francis.) Aquele escritor gaúcho, por exemplo, não abandonou suas colunas, apesar de aparentemente ter esquecido que existe política. Muito estranho. Gente esquisita.


"Não é por acaso que esta revista se chama Brasileiros. Escolhemos esse nome, em fevereiro de 2007, porque defendíamos – e defendemos – o direito de olhar para o País com mais carinho. Defendemos o direito de torcer a favor dele, e não contra ele. Defendemos a dispensa da obrigação elitista de sermos “inteligentemente” irônicos, autodepreciativos e carregados de soberba ao criticar o País. Podem nos dispensar dessa obrigação. Trocamos tudo isso por torcer e, principalmente, por trabalhar para que o Brasil cresça sob todos os aspectos. Os econômicos, os sociais e os éticos.
Defendemos que o Brasil precisa gostar mais do Brasil. E isso, é óbvio, não significa ignorar o que há de errado nele. E a realidade do dia a dia nos mostra que muito há de errado. Muito há por fazer. Muito há por melhorar. Mas isso não significa que não se possa comemorar o que há de bom. O que foi feito e o que está em andamento. Nós não nos furtamos da crítica. É da nossa essência. É da nossa função. Mas fugimos da prática do linchamento oportunista, calhorda e metido a besta. Assim como fugimos da pieguice. Ou pelo menos do excesso dela.
Desde nossa primeira edição, em julho de 2007, defendemos o direito de demonstrar paixão e emoção no que fazemos e na maneira como olhamos para o Brasil. E, como já estava registrado no nosso número 1, isso passa bem longe de qualquer tipo de ufanismo.
Por tudo isso, trazer as Olimpíadas para o Rio nos encheu de emoção. A vitória conseguida na Dinamarca provocou alegria e entusiasmo. O discurso do presidente da República foi de encher os olhos. Tanto a redação quanto sua interpretação. Pura emoção. Os vídeos feitos por Fernando Meirelles e seus parceiros foram de absoluta e notória competência. Todo o trabalho foi de emocionar.
Agora, a hora, mais do que nunca, é de mãos à obra. Há muito que planejar, muito que trabalhar. A nossa imagem lá fora nunca foi tão positiva. Precisamos melhorá-la aqui dentro e, para isso, é preciso, de um lado, trabalho e, de outro, boa vontade. O Brasil precisa gostar mais do Brasil.
Entre as várias entrevistas que foram feitas nos momentos em que antecederam o anúncio da escolha do Rio como sede das Olimpíadas de 2016, uma chamou a atenção. Um jornalista de língua inglesa, perguntado pela repórter brasileira sobre qual seria a cidade escolhida, respondeu de imediato: Rio de Janeiro. Por quê? “Well… everybody loves Brazil!”
Em tempo: para não pensarem que nós dois estamos ficando loucos por vermos as coisas de uma forma um pouco diferente da maioria dos nossos colegas da mídia, reproduzo abaixo trecho da coluna do professor Antonio Delfim Netto publicado na “Folha” desta quarta-feira. Sob o título “Virando a página”, escreve este respeitado economista, que foi ministro no regime militar e pode ser chamado de tudo, menos de perigoso vermelho e petista xiita:
“Creio que podemos deixar para trás o diário da crise e voltar as atenções para uma nova agenda de desenvolvimento que se abre à nossa frente.
Há uma conjunção de fatores, internos e externos, oferecendo ao Brasil a oportunidade de recuperar o desenvolvimento e manter um ritmo de crescimento de 6% ou 7% do PIB ao ano nas próximas duas décadas.
Ao contrário da maioria dos países, estamos chegando ao final do ano sem queda do PIB e já entramos em 2010 crescendo a uma taxa anual de 4,5% (…)".

Nenhum comentário:

Postar um comentário